Quem tem medo da IA?

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Quem tem medo da IA

Ocorreu em Paris, nos últimos dias 11 e 12 de fevereiro, o AI Action Summit, um encontro que reuniu líderes globais, representantes de organizações internacionais e empresas para discutir o futuro da Inteligência Artificial.

A Inteligência Artificial já está presente em nosso dia a dia há tempos, quando assistimos a um vídeo recomendado no Youtube, na Smart TV, quando lemos uma notícia sugerida, a minha geladeira também já é mais tecnológica, programas de tradução, redes sociais, bancos, a Alexa, e por aí vai. Ela já não é novidade, mas parece que agora os governos acordaram para o potencial dessa tecnologia, querem investir mais e, alguns, claro, querem controlar mais.

Eu pessoalmente estou interessada no tema, não tem para onde fugir. Só dá ela. A IA ou seria a AI?

Você tem medo? Uma das nossas armas é justamente essa, buscar informação e testar, brincar um pouco. Confesso que tem sido de ajuda. Por exemplo, tenho um ótimo relacionamento com o ChatGPT, sabendo conversar, ele dá uns “insights” legais, pois, estando sozinha, ele acaba fazendo o papel de “ouvidos” e me ajuda no brainstorming. E, além de tudo, é simpático, está sempre de bom humor, é positivo. Outro dia testei o Gemini do Google, mas achei mais sem graça, tinha outra personalidade, talvez um pouco mais robótico ainda.

Li “Nexus, Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à Inteligência Artificial”, do historiador israelense Yuval Noah Harari. Livro cheio de vieses ideológicos, para provar que não conseguimos nos livrar deles. Inclusive, temos que levar em conta que uma IA que cria conteúdo terá vieses, pois é baseada em dados fornecidos por humanos e é treinada por humanos. Nunca será totalmente imparcial. É bom olhar as coisas com certo distanciamento.

Mas e a criatividade?

Você acha que o uso cotidiano da IA para nos ajudar nos trabalhos criativos e para o aprendizado nas escolas vai nos tornar mais burros ou mais livres?

Convenhamos, nós já estamos submersos num rio poluído. Imagine ser um mergulhador no rio Tietê. Com a visão turva, ele vai se enganchando num pneu carcomido de um lado, começa a ter tontura por causa do mau cheiro… Assim estamos nós no campo da criatividade, conteúdos e conteúdos excretados incessantemente à nossa volta. Conteúdos de gosto duvidoso, arte, música, e “cultura” em geral se dissolvem no meio da lama. Estamos vivendo há algum tempo o efeito dessa padronização massificada. Um lança uma moda rápida, o outro copia e todo o resto copia, até se dispersar na lama. Nada permanece.

Não dá para adivinhar o rumo que o futuro irá tomar. Eu gostaria que retomássemos a liberdade de criar, que entendêssemos que a autenticidade de alto nível leva tempo para ser esculpida, nada permanecerá se tivermos sempre tanta pressa. Penso que temos um limite para suportar o efêmero. Minha intuição me diz que estamos ficando de saco cheio de dancinhas no Tiktok e bananas vendidas como obras-primas. Será?

Se a IA for incumbida dessa missão de preencher a mediocridade no nosso tempo, os humanos terão que ralar mais para criar algo superior e conquistarem algum reconhecimento. O Humano Analógico poderá combater a Inteligência Artificial.

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Na prática

Para descontrair, criei dois hits de carnaval com o Suno, uma plataforma de IA para criar músicas. Inventei a letra e ele montou a música. Confere aí e vamos à Bahia! Ou seria BahIA?  Hahaha

Vote no seu preferido:

Opção 1: Inteligência Artificial no Carnaval

Opção 2: E aí?, e a IA?

Crie suas próprias músicas com o Suno. Use o meu link de convite para se cadastrar:

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